Sente aí meu irmão É uma coisa rara de ver O ano é bom, muito bom Estou feliz podes crer
A história de Dinorah você encontra em: DINORACOMAGANOFIM: Muito Prazer! Dinoracomagánofim.



Dinorah

Dinorah

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Fada.



A história de hoje é verídica. Tinha seis anos de idade e morava lá pelas bandas do Botucaraí.
Era final de ano, a professora informou que as meninas da classe apresentariam um “bailado”.
Ficou numa felicidade! Nunca havia feito teatro

com platéia de verdade. Gostava de brincar de teatrinho com as amigas. Sempre haviam princesas, príncipes, fadas e bruxas. Nunca aprendeu ballet, fazia umas imitações que achava simplesmente espetacular.
Era realmente fantástica! - segundo conceito próprio.
- Vamos apresentar um bailado. As meninas serão bonecas. Ficarão em pé dentro de caixas e uma será a Fada, que dançará e tocará as caixas das bonecas com uma varinha de condão. As bonecas ganharão vida, se transformarão em meninas. Elas sairão de dentro das caixas e darão uma voltinha, com os braços erguidos, retornando para dentro das caixas.
A professora falava e demonstrava, para as meninas, como seria o balet.
Prestou atenção para guardar toda a coreografia que a Fada deveria fazer. Bastou a professora fazer uma vez, já sabia tudo!
- Agora fiquem todas em pé, uma ao lado da outra, vou escolher quem será a fada.
Perfilaram-se, a professora caminhava entre elas. Solange era uma menina loirinha, de cabelos encaracolados. Carmem, magrela de cabelinho bem curtinho. Jacira, tinha olhos grandes, cabelos negros, escorridos. Marta, Ah! Marta! Era a mais alta de todas, esbelta, cabelos castanhos, olhos azuis, longos cachos caiam por suas costas.
- Marta, você será a fada! – sentenciou a professora.
Sem nenhuma humildade, cerimônia ou culpa. Com muita convicção interrompeu:
- Professora, a senhora se enganou! Quem sabe dançar balet sou eu, olhe só – e fez umas piruetas demonstrando que aprendera a coreografia só de olhar uma vez - também tenho uma roupa de fada – completou. Lembrou do vestido que a irmã mais nova usara como dama de honra em um casamento, um vestido branco, todo de babadinhos.
- Não! Marta será a Fada, vocês serão as bonecas.
- Mas eu não quero ser boneca. Boneca não faz nada, só sai um pouquinho da caixa, dá uma voltinha e entra na caixa novamente - resmungou
- Já está escolhido. Vamos ensaiar.
Volta e meia falava para a professora que ela é que deveria ser a Fada. Não sentia vergonha por demonstrar tão obviamente o seu desejo. Queria ser a Fada e para isto ensaiava em casa tardes inteiras e não havia por que me constranger. Não havia questionamento com relação a aparência, desempenho ou qualquer coisa parecida. A única coisa que sabia é que ela poderia, e queria, ser a Fada.
Enfim, chegou o dia em que aconteceria a apresentação. Ela estava um pouco sem graça. Não seria Fada e ser boneca era uma coisa tão boba, então, tanto fazia ter apresentação ou não.
Foi quando Pierre, um colega de escola, chegou todo esbaforido.
- A professora mandou avisar que Marta está com catapora e não poderá dançar hoje à noite. Você será a fada!
Aquele foi o dia mais feliz da sua vida!
Correu para até a mãe pedindo-lhe para providenciar no vestido de sua irmã pois ela seria a fada!
- Mas, minha filha, como é que você vai usar o vestido de sua irmã mais nova? Ele é muito pequeno para você!
- Não tem problema mãe, a gente põe um remendo - falou decidida.
Bom, a partir daí foi um tal de tira e põe o vestido, emenda e costura. Pouco importava a trabalheira da mãe. Ela estava radiante!
Chegou a noite e apresentou-se em um palco de verdade. Dançou, e com a varinha de condão desencantou todas meninas-bonecas.


Foi a fada baixinha, gordinha, de óculos, mais feliz que alguém possa imaginar!


Um comentário:

  1. Que linda história. O destina ajuda aos abstinados. Eu creio nisso.

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