
Todos os anos era a mesma coisa. Nesta época do ano a mãe se esmerava. Era chegado o momento de fazer as compotas de doce de figo, pêssego, ameixinha, “schmier” de uva, pêra, maçã, os picles de cebolinha, pepino, cenoura, os biscoitos de mel, amanteigados, polvilho e as famosas “bolachinhas de natal”. A mãe era incansável nos preparativos. A função começava por estes dias, final de novembro, um mês antes do Natal.
A largada era dada com as compotas. Era um tal de descascar frutas, ferver e esterilizar vidros – que fim terão levado os famosos “Vidros Rex” – Panelas enormes, cheias de água, com panos entre os vidros, para que não quebrassem, pareciam ferver o dia inteiro.
Nesta lambança as crianças eram corridas da cozinha – mas se a ordem tivesse sido cumprida, como é que se lembra de tudo isto?
Após mais ou menos uma semana, finalizado o trabalho - acredita que eram cerca de uns quarenta vidros de doces em calda, picles e “schmier” – expostos em prateleiras, provocavam uma visão bonita e deliciosa. A mãe orgulhosa de sua obra, os filhos, orgulhosos da mãe. Permaneceriam ali até que chegassem uma visita ou data especial. Deveriam durar até a próxima estação das frutas, quando tudo se repetiria.
Encerrada a etapa das compotas, iniciava-se a dos biscoitos e bolachas de Natal. Esta parte era a melhor, as crianças podiam ficar na cozinha, enfarinhando formas, cortando a massa com os moldes – sino, anjo, papai Noel, estrela, coração – também eram encarregadas de decorar os biscoitos, passando a cobertura de açúcar colorido. A casa era invadida pelo aroma de mel, cravo e canela – o cheiro típico do natal
As bolachas enchiam grandes latas de banha, que anteriormente haviam sido pintadas e decoradas com flores de “decalcomania” – isto ainda existe? Muito bem fechadas, eram escondidas em grandes armários com o intuito de não dar muita facilidade aos gulosos que as rondavam na espreita de um descuido qualquer da mãe. Cada especialidade levava um dia ou mais para ser feita, e assim, lá se ia a segunda semana.
Também era a única época do ano em que se fazia o delicioso capilé. Vários litros de vidro, tampados por uma rolha, continham a calda de açúcar e essência de framboesa – um xarope espesso que misturado com água se transformava em “gosto de natal”.
Dinorah querida, suas descrições tão fiéis me deixaram até com água na boca. Lembro dessas farras de preparo de doces e salgados quando criança e era uma verdadeira festa, não só por ficar firulando pra lá e pra cá no meio da "bagunça" como pelo fato de saber que haveria muitas guloseimas para agradar ao paladar! Lembro com saudade do preparo de doce de mamão e banana que faziam em tachos grandes. Um pecado de tão bons.
ResponderExcluirBlogueira Fajuta,
ResponderExcluirÉssa função de "fabriacação do Natal" é inesquecível - todas as crianças deveriam viver estes momentos não é mesmo?