Sente aí meu irmão É uma coisa rara de ver O ano é bom, muito bom Estou feliz podes crer
A história de Dinorah você encontra em: DINORACOMAGANOFIM: Muito Prazer! Dinoracomagánofim.



Dinorah

Dinorah

domingo, 30 de janeiro de 2011

Agradecimento ao Fernando.


O Fernando Imaregna, além do blog Irmão das Estrelas - http://imaregna.blogspot.com/ possui um estoque imenso de generosidade. Publicou um texto - “Frustração” – aquele em que relato o sentimento de um assalto não consumado.


É a primeira vez que recebo tão alta condecoração. Estou num exibimento que só vendo. Feliz por ter um texto publicado em outro blog e, talvez, mais feliz ainda por saber que há pessoas com um coração tão lindo e generoso como o seu, Fernando.


Muito obrigada!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Helga, a professora de samba.

Lembrei que minha amiga Helga deveria estar meio deprê, como sempre fica depois da visita da irmã. Dei uma chegadinha na casa dela. Foi o Adolfo quem abriu a porta.
- Entre Dinorah, a Helga está lá nos fundos - e cochichando no meu ouvido prosseguiu – que bom que você veio, ela está meio triste, você sabe como ela fica depois que a Hilda vai embora.
Fui até o pátio e lá estava a gorducha sentada em uma rede, com os pés metidos em uma bacia com água.
- Vai fazer os pés Helga?
- Que nada! Estou com eles na salmoura. Passeei tanto com a Hilda que quase perco o couro da sola dos pés! - Disfarcei a vontade de rir. A Hilda é magrela e ágil. Caminha, caminha e está sempre disposta, já a gorducha é um tanto preguiçosa, gosta de caminhar, mas num passo estilo jabuti. – Sabe Dinorah, toda vez que a Hilda vai embora eu fico assim, meio triste, sem rumo. Penso em quando é que a verei novamente, enfim, dá saudades dos outros irmãos. – enquanto fala, com a cabeça baixa, olha para as ondinhas que faz com os pés na água
- Helga, você já viu como a cidade está movimentada com forró que vai acontecer na praia? – Comento sobre a festa para ver se melhoro o seu astral. Imediatamente ela reage, esboça uma ameaça de sorriso e responde.
- Ah! Que saudades do tempo em que eu dançava! Você sabia que já dei aulas de samba?
- Não, não sabia – respondo pasma, da onde que aquela criatura sabe sambar? Tem tanta jinga quanto um poste de concreto. Tento disfarçar a minha descrença, mas ela percebe me repreende.

- Dinorah, às vezes você me irrita! Sempre duvida do que lhe conto, mas é verdade. Sabe aquele tempo em que morei na Alemanha?
-É claro que sei Helga, você já me contou inúmeras histórias de sua fase rebordosa. Inclusive do tempo em que morou na Alemanha. - aproveito e dou nos dedos da exibida – Aliás, onde você morou um ano e por pouco não voltou muda. Não aprendeu a falar alemão e quase esqueceu o português!
- Isto não vem ao caso. Alemão é muito difícil mesmo, mas aprendi a gesticular em todas as línguas. Lembra da amiga grega que te contei? Passamos uma noite inteira fazendo fofoca dos companheiros de apartamento. Ela não falava o português, eu não falava grego, mas a gente se entendia perfeitamente. Conseguimos falar mal de todos! Bom, mas você sabe, eu me virava por lá cuidando de crianças, fazendo faxinas, inclusive em uma igreja, lembra? Foi aí que surgiu a oportunidade de dar aulas de samba. Foi a Rosário, uma paulista que morava por lá quem me convidou.
- Bolota, - era assim que a Rosário me chamava - você tem aquela fita K7 da Beth Carvalho? Conheço uns gringos que querem aprender a dançar samba e pensei que nós duas poderíamos ensinar. - Eu fui sincera, falei para Socorro que quando muito eu saberia dançar um vanerão, mas sambar? Ela me disse que eu não me preocupasse que era coisa simples e a gente poderia ganhar algum dinheiro.
- E daí? – perguntei – Vocês ganharam muito dinheiro com as aulas? - Olhando para os pés dentro da bacia com salmoura, com um jeito sem graça, Helga confessou:
- Pois é, - falou meio constrangida - na primeira aula foram uns dez alunos, mas era só uma demonstração, era grátis. Na aula seguinte não apareceu nem meio aluno. Sabe Dinorah, nunca consegui saber o porquê da falta de alunos. Fiquei muito triste, me senti como passista de escola de samba rebaixada para o grupo de acesso. Fazer o quê se as pessoas não sabem valorizar uma cultura exótica não é mesmo? Mas o esforço não foi em vão. Fiquei muito amiga do Herr Silva, um moreno bonito, lá do Sry Lanka, que havia comparecido a primeira, e única, aula. - A gorducha falou isto e dando uma de suas gargalhadas saltou de dentro da bacia de salmoura e, saracoteando como se estivesse recebendo um santo epilético – que imagino fosse sua jeitosa maneira de sambar - cantava

“...Chora! Não vou ligar Não vou ligar! Chegou a hora Vais me pagar Pode chorar Pode chorar...”

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Novidades.


Aqui pela Marambaia o que não faltam são novidades. Toda a manhã vejo aquelas duas figuras, Helga e Hilda passarem. Vão num passinho apressado, demonstrando urgência em chegar na praia onde bebem caipirinha, Underberg com coca zero e enchem o pandulho de tapioca. Enquanto isto o Adolfo come lingüiça, toma cerveja e dorme. – Aliás, pelo tanto de linguiça que a Hilda trouxe não sei como a cachorrada não veio correndo atrás dela.
A Hilda andou tendo uns ataques de saudades. Seu filho mais novo, mais uma vez, passou no milésimo vestibular, desta vez em primeiro lugar do curso que escolheu na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Daí que a Hilda queria antecipar o retorno para casa, mas tanto a Helga insistiu que ela acabou ficando mais um pouco. Helga, já contou para toda a Marambaia que tem um sobrinho que é gênio – Puxou a mim! – afirma a gorducha sem o menor constrangimento.

Enquanto isto, a outra irmã da Helga, a Maria da Glória, está com a família – marido e filha - passando férias na casa de outro sobrinho no Rio de Janeiro. Nestas alturas do campeonato, a “Família Feliz” já deve ter tirado fotografia até dependurada no sovaco do Cristo Redentor! - cá para nós, que ninguém me ouça, a tal da Maria da Glória é toda metida à chique, mas já vi esta criatura tomar cada porre! É quando ela canta, ri, dá umas gargalhadas até se desfazer em prantos. É assim toda vez que bebe. A estas alturas, já deve estar lá pelos arcos da Lapa, sambando, achando que é passista da Mangueira e o marido o Carlinhos de Jesus. – agora lembrei que a Maria da Glória foi para o Rio sem tirar os pontos de uma cirurgia de que fez na barriga – será que assim mesmo irá sambar?
Fico pensando como estará o pobre sobrinho e a esposa - a Helga, sempre se exibe dizendo que o sobrinho e a esposa são doutorados, pós-doutorados, enfim, finíssimos! - convivendo com a hiper expansiva “família feliz”?
Aliás, esta familia da Helga deve se dar bem. Vivem uns na casa dos outros, andam sempre com as malas cheias de comidas para cima e para baixo. Nunca vi como gostam de uma junção!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Helga e sua história de amor - Lado A.

(requentada - original publicada em junho de 2010)
Helga contava com bem mais de 40 anos.
Nunca foi uma beldade, mas em toda a sua vida, foi aos 40 que ficou mais vistosa.
Naquela altura do campeonato, ela já havia tentado de tudo para encontrar a alma gêmea, a paixão de sua vida.
Enfim, a razão para ter nascido:
Viver um grande amor!
Morava em apartamento próprio, tinha seu próprio carro, assava seu próprio churrasco.
Era uma profissional muito cobiçada no mercado.
Só não era cobiçada para ser namorada de ninguém.
Fez terapia.
Todas que se puder imaginar, fróidiana, iunguiana, raichiniana, transcendental, vidas passadas, regressão.
Sem contar que por muito tempo sustentou uma cartomante. Foi quando resolveu comprar um tarô e aprender a lançar a própria sorte, pois caso contrário teria que declarar falência em breve.
Freqüentava bons ambientes.
Academias de ginástica, clubes, restaurantes, centro de cultura, assistia todos os filmes. De Wim Wenders, a Mazaropi. Mas sinceramente, os filmes que mais gostou, e nunca disse, eram “Uma Linda Mulher” e “O vento levou”.
Morou quase um ano num mosteiro no Tibet, pra ver se largava dessa idéia ridícula que é uma mulher passar a vida atrás do grande amor.
Tentava praticar o desapego, a ser zen.
Apaixonou-se por homens mais velhos, mais moços, com cultura, sem cultura, com dente, sem dente, com cabelo, sem cabelo, gordos e magros.
Enfim, nunca discriminou partido.
Quem sabe não estaria ali o príncipe?
Já estava prestes a se apaixonar pelo apresentador do noticiário.
Afinal, todas as noites, ele lhe dizia um “Boa noite!” de um modo tão romântico, tão intimo e pessoal...
Quando já estava desistindo, resolveu que a última alternativa seria a Internet.
Muito temerosa, adentrou naquele mundo que até hoje não sabe bem onde fica, o virtual.
Sentiu medo, receio.
Tantos casos de psicopatas, loucos, assassinos, pedófilos. Bem, no caso não era o caso. Existiriam velhófilos?
O resumo da ópera?
Foi ali, no mundo virtual, que a cansada Helga encontrou sua alma gêmea!
Atualmente está feliz, vivendo há mais de dez anos com o amor da sua vida.
Ele não é um príncipe, o que é uma pena.
É um homem - e o bom é que não tem nada de virtual!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Dúvida existencial:

Escrito no para-choque de um carro aqui na Marambaia:




"Se correr a polícia pega, se parar o banco toma!"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Frustração.

Aconteceu numa manhã em que não acordei assim como diria, com o pé direito, fosse homem diria que havia amanhecido com “osovovirado”.

Fazia pouco tempo que havia sido assaltada e andava bem paranóica com a impressão de que seria assaltada a qualquer momento. Naquele dia não estava muito animada. No caminho até o trabalho, comecei a sentir uma irritaçãozinha, que aumentava e quando me dei conta estava com ódio, não me pergunte do quê ou de quem – odeio pensar que sou uma pessoa capaz de sentir ódio, mais um motivo para estar odiada. A expectativa de ter como pagar o cartão de crédito era tão real quanto a de arranjar um namorado, daqueles que andam de mãozinhas dadas, que dizem que somos especiais, o melhor que aconteceu em suas vidas.

Enfim, expectativa de dinheiro e de amores = ZERO. Vontade de sumir = MIL.

Foi quando avistei, vindo em minha direção, um rapaz com um jeito suspeito. Entrei em alerta. Ele ainda estava a uma distância razoável, tive tempo de planejar a minha auto defesa. Tirei a sombrinha da bolsa – a minha sempre andou cheia de qualquer coisa que “um dia” pudesse ser útil, só o laquê novinho já dava um bom peso. Planejei: No momento em que este imbecil chegar à minha frente eu bato com a sobrinha na cara dele, dou um pontapé no saco, deixo ele caidinho no chão, bato muito com a bolsa - com o laquê dentro, lembra? Chuto mais uma vez o saco. Grito! Grito muito: - Filho da puta! Sem vergonha! Infeliz!

O rapaz se aproximava e eu me sentia como se, sozinha, fosse uma tribo inteira daqueles índios que surgem de surpresa, aos milhares, por detrás de uma colina, prontos para atacar o General Custer. E o rapaz estava mais perto, e a sombrinha já estava na mão certa, e a alça da bolsa enrolada na outra mão. Eu já estava quase babando de ódio e prazer imaginando que teria em quem desancar toda a minha insatisfação, minha ira. O rapaz chegou perto, mais um pouquinho e estaria no ponto para receber a primeira bordoada.
Infelizmente, não sei por que, ele passou reto, sequer me olhou, como se eu não existisse. Aquilo me deixou ainda mais irritada.

Guri dos infernos!
Nem pra assaltar e tomar uma boa sova serve! Tudo o que eu queria naquele instante era gritar e bater muito no primeiro infeliz que cruzasse o meu caminho. Aquele não assalto conseguiu me deixar ainda mais irritada. Fiquei tão frustrada que chorava de decepção – e ódio.
...não consigo lembrar se estava com TPM.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sortidas.

Hoje resolvi fazer uma faxina no visual. A coisa não estava preta, estava branca – mais ou menos uns dois dedos de raiz do cabelo aparecendo e o comprimento já dava o direito de ser chamada de “irmã”. Meu hair stylist, maravilhoso – ele é o luxo da Marambaia – surgiu no portão, sim ele atende em domicilio, de camisa de linho branco, calça pescador também branca, com bainha italiana, sandália de couro cru, chapéu panamá. Com toda elegância, me contou esta:

A bichinha, está subindo a escadaria da Igreja de Nossa Senhora da Penha, quando vem rolando, lá de cima, uma velhinha. A bichinha não faz nada, apenas se afasta da rota da velha e a deixa rolar escada abaixo. O povo indignado, pergunta:
- Por que você não segurou a velhinha?
- Eu sei lá! Vai que era uma promessa?

.............

Em compensação, a manicure me fez o seguinte elogio:

- Como eu lhe admiro! Na sua idade a senhora ainda faz o pé e a mão. A senhora deve agradecer a Deus todos os dias. Tem gente da sua época, - acho que a intenção era dizer era, de era mesozóica, era glacial - que já nem está mais aqui, e se está, está em uma cadeira de rodas.

Tadinha! Está bem que eu sou do século passado, do milênio passado, mas não precisava elogiar tanto. Depois disso pensei se não seria melhor trocar meu guarda roupa por metros e metros de faixas de gaze.