Sente aí meu irmão É uma coisa rara de ver O ano é bom, muito bom Estou feliz podes crer
A história de Dinorah você encontra em: DINORACOMAGANOFIM: Muito Prazer! Dinoracomagánofim.



Dinorah

Dinorah

sábado, 9 de abril de 2011

Droga de Helga!

Estou meio borocoxô. Não sei se é esta chuvinha, o resfriado, a preguiça...


- Hu hu! Olá Dinorah!


Ah meu Deus! Tudo menos uma visita da Helga! Não estou com vontade nenhuma de sair da minha concha, de encher os ouvidos com bobagens e asneiras. Não estou com vontade de rir – acho que gostaria mais é de chorar, sem saber por que nem por quem. Ai saco! Vou ter que dar um jeito e despachar a gorducha. Com uma cara azedíssima abro a porta e a criatura saltita na minha frente toda risonha e alegre. Tenho que dar um jeito de interromper o fluxo daquela energia alegrativa, afinal não estou a fim de ficar nem alegre nem feliz. Não entendi muito bem o traje que o ser estava usando. Uma coisa “temática” túnica indiana, faixa na testa, muitos colares e uma bolsa atravessada no ombro.

- Oi Helga – respondo com a cara amarrada e sem nenhuma empolgação.

- Dinorah, não adianta disfarçar, você estava assistindo “E o vento levou” e morrendo de chorar não é mesmo? Eu adoro chorar com a Scarlet...

- Helga, hoje não estou muito a fim de papo. Não estava assistindo nada e estou com vontade de ficar triste, de mau humor, azeda, de mal com a humanidade...

- Ah! Já sei! Você não está trocando o azedume nem por uma mega sena acumulada não é? Sei bem como é isto. – Fala num tom de seriedade, demonstrando certa compreensão, fico aliviada. A criatura vai entender a minha idolatrada depressão e vai se mandar, deixando-me em paz. – Eu também, às vezes fico assim, não quero mais nada além de uma caixa de bombons e quem sabe uma coca zero.

- Eu não quero bombom nem coca zero. Só quero ficar sozinha. Sozinha entendeu Helga?


- Para com esta bobagem Dinorah, você nem viu o que tenho na minha bolsa – sacode uma enorme bolsa de tricô colorido na minha cara


- Trouxe uma coisa maravilhosa para curtirmos juntas.

O que será que a gorducha tem na bolsa? Pozac, valium, eufor? Mas eu não quero nada Quero ficar sozinha, com ela, esta depressão maravilhosa que me faz sentir um ser rastejante, sem serventia, só sentido pena de mim mesma. É tão horrível! Tão bom para me lastimar.

- Tá bom Helga, entre. O que você tem aí? – não adianta, eu conheço a praga. Ela não vai desistir então o melhor que posso fazer é ouvi-la e despachá-la em seguida.

- Tchan! Tchan! Tchan! – mostra uma caixinha de fósforo – Dinorah! Há quanto tempo você não dá um tapinha?

- Helga, eu não acredito que uma velha como você agora deu para fumar maconha?

- Ora, ora, vamos parar com esta repressão! Há muito tempo passamos da idade de “pegar o vício”, naquele tempo até que fumamos pouco. Vivíamos com um bando de loucos e no fim éramos quase caretas. Ganhei unzinho de uma amiga, guardei para uma ocasião especial e acho que este dia chegou. Vamos lá garota! Vamos reviver Woodstock! – esta criatura tem o dom de me tirar do sério, mas não sei como não rir daquele estrupício. O que é que uma velha daquelas quer fumando maconha?

- Criatura eu nem sei mais como se fuma isto, aliás, sempre achei meio saco não existir um fininho com filtro ou com piteira, sempre acabava por queimar as pontas dos dedos e os beiços. - Não se preocupe, tem um grampo aqui. Eu também não sei fumar muito bem.

Ajeita daqui, ajeita dali, a gorducha “ligou” a droga – literalmente – deu uma tragada e meio fanha exclamou:

- Maresshhhia... maressshhia. Dinorah, dá um tapinha.. – a gorducha estatelou-se entre almofadas que jogou no chão e, como se fosse uma metamorfose simbiótica, não se podia definir onde começavam as almofadas e onde terminava a Helga. Fumamos um baseado consideravelmente grande. Falei que estava achando meio estranho o gosto da porcaria, ela me garantiu que era a falta de prática. Que era erva das boas – “da lata”! Helga começou a delirar, falava mais asneiras do que nunca. Normalmente, de cara, ela é uma asneira ambulante, mas assim, drogada, era muito pior. Começamos a rir por qualquer bobagem. Helga me perguntou se eu já estava vendo elefante cor de rosa voando, gargalhávamos, chorávamos e ríamos ao mesmo tempo. Não sei quanto tempo ficamos assim, até que de repente a gorducha levantou.

- E aí velha Dinorah de guerra? Gostou da farra?

- Poxa Helga, quanto tempo eu não ria deste jeito, só mesmo com uma maconha, suspirei.

- Maconha nada doidinha! Fiz uma mistura de uns matinhos com orégano. Dinorah, você precisa gostar mais de ser feliz!

- Helga, você me paga! – fiquei furiosa, joguei uma porção de almofadas naquela criatura horrorosa. Chamei-a de mau caráter, desonesta, falcatrua, 171!


- Tchau Dinorah! Já vou. Consegui trocar sua autocomiseração por raiva de mim. É uma boa troca. - Bateu a porta e foi-se embora.

Fiquei ali, morrendo de ódio daquela velha hippie. Droga! E agora? Cadê a depressão que estava aqui? Procuro por todos os cantos e não consigo encontrá-la.


Vai ver a gorducha levou-a na bolsa! Droga!

domingo, 3 de abril de 2011



Sábado à tarde, um calorão do cão, louca para ir à praia, mas um resfriado não me deu alternativa que não preparar aulas – o brinquedo novo que descobri. Eis que ouço uma voz conhecida:


- Hu! Hu! Dinorah? Comansává?

- Helga! Há quanto tempo! Entra que saudades! A gorducha, toda perfumada colorida e faceira, engrena um rebolado, faz biquinho e me indaga em francês:

Sávábian?

- O que é isto criatura! Agora deu para receber um santo francês? Foi só passarmos algumas semanas sem nos vermos que você virou francesa?

- Ai Dinorah! Nem lhe conto! – joga-se na rede, ajeita o corpanzial, reclama que depois será um sacrifício sair da tal rede, mas que adora se sentir suspensa no ar. Cutuca a parede com o pé para conseguir um embalinho – Hoje pela manhã, minha irmã Maria da Glória, aquela que é muito chique, ligou. Contou que está de malas prontas para comemorar o aniversário de casamento em Paris. Ah! Parrrriii! Como é linda! Que saudades! Da última vez que estive lá, lembro de ter saboreado queijos deliciosos.

- Só um pouquinho Helga. Quantas vezes você esteve em Paris? Que eu saiba, só uma. – a criatura suspensa e embalante, olhando para o nada faz um olhar de menosprezo, estala os lábios e afirma:

- Então, se fui só uma vez não importa, interessa é que, casualmente, foi a última vez que estive na Cidade Luz! Dinorah, vou lhe confessar uma coisa, não conte para ninguém, mas estou morrendo de inveja da Maria da Glória, você sabe, ela é meio metida, exibida, gosta de coisas chiques. Eu não a condeno por isto, afinal, também gosto de tudo isto, mas eu sei que ela é boa para línguas e vai voltar falando francês bem direitinho, por isto já estou ensaiando o meu. Não vou perder para ela. Já estou imaginando Glorinha fazendo biquinho para falar. Droga! Que inveja!

- Helga, deixa para lá este negócio de ciúmes. A Maria da Glória é uma pessoa tão legal, basta os telefonemas sem fim que vocês duas trocam e, se não me engano é sempre ela quem paga, sei bem que você liga e ela imediatamente diz para você desligar e ela liga em seguida.

- Ah! Dinorah! Pare de defender a Glorinha, o marido dela é cheio do dinheiro, apaixonado por ela, tá pouco se lixando se ela gasta uma hora em cada conversa que temos. Ele adora fazer as vontades dela. – faz mais um muxoxo e reclama – acho que agora também estou com inveja do marido da Glorinha. Mas o que é que você está fazendo? Não vai dizer que está às voltas com assuntos de aula? Dinorah, você anda um saco! Só pensa em aulas e histórias de alunos. Aliás, você descobriu quem foi que acrescentou o “nome” no final da relação de alunos que estava afixada na porta da sala de aula?


- Quem? O “Fida Peste”? Descobri! Foi no final da aula sobre Portinari. Passei duas horas falando e mostrando algumas gravuras com as obras em que o artista retratava o cotidiano, casamento na roça, trabalhadores, festa de São João etc. Foi quando ouvi uma criatura miúda – por que será que os miúdos são tão cheios de energia? - reclamar:

- Professora, a senhora falou o tempo inteiro que esse homem pintava o cotidiano, mas a senhora não mostrou nenhum retrato dele.

– Dele quem? – indaguei.

– Do Cotidiano, Fida peste!

A gorducha deu uma gargalhada, sacudindo-se na rede e assim que se recuperou perguntou:

- Dinorah, lembra-se da Irmã Calinda? – deu uma gargalhada ainda maior e repetia Caliiiinda imitando o sotaque da pobre freirinha. Helga e eu fomos colegas de primário e ginásio em um colégio de freiras, onde a maioria das professoras eram irmãs franciscanas alemãs, falavam com sotaque carregado. O nome correto da freirinha era Carlinda, mas ela não pronunciava o erre e a gente se divertia com aquilo. Pois ela foi nossa professora de Português. Pasmem! Aprendemos a conjugar verbos e análise sintática com ela – algumas, confesso, aprenderam mais do que eu. Tinha também a Irmã Aline que ensinava artes, nos ensinou a fazer fantoches de papel machê.

- Eu nunca consegui fazer um fantoche. Acabava fazendo umas bolotas de papel machê que grudava na lente dos óculos e ficava me fazendo de cega no meio da sala de aula – declarou entre risos a da rede.

Passamos a lembrar os tempos de escola. Rimos muito, éramos umas pestes. Eu nem tanto, mas a Helga! Ela era impossível, os professores não podiam vê-la que já a colocavam de castigo, antes mesmo que abrisse a boca e aprontasse alguma.

- Helga, lembra de uma fase que roubávamos a merenda dos professores? E aquela vez em que subimos na torre a Igreja e não conseguíamos descer? E quando matamos aula para pegar autógrafo dos “Brazilian Beatles”?

Fiquei com medo de que a rede com a gorducha não resistisse e viesse ao chão de tanto que ríamos.


- Dinorah, sabe de uma coisa? Fida Peste fomos nós duas – melhor: Fidêpêstê, fica mais chique!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Resposta da prova.

Como sou uma professora muito ansiosa, não aguentei esperar até o fim de semana para dar a resposta do teste. Lá vai:


Os objetos ou elementos recorrentes nas obras de Portinari são o bauzinho azul – nem sempre azul, a cabaça ou moringa e a corda, ou rolo de corda. Quando as tias de Portinari vieram da Itália, trouxeram o tal baú onde guardavam suas lembranças. Achei tão bonita a forma de homenagear as tias que resolvi ressaltar o fato. Com relação aos demais elementos, não descobri o porquê, se alguém souber, ficarei agradecida.


Acho que a Sandra foi quem chegou mais perto da resposta, então o ponto vai para ela. Parabéns Sandra e continue sendo uma aluna esforçada! - até então, eu não fazia a mínima idéia de qualquer coisa.


Mexerico

c.1940 Pintura a óleo/tela 73 x 59.8cm Rio de Janeiro, RJ Assinada no canto inferior esquerdo "PORTINARI". Sem data Sotheby's, New York,NY


http://www.portinari.org.br/ - vale a pena visitar

segunda-feira, 28 de março de 2011

Justificando o sumiço.

Pois é gente, ando sumidinha, mas já vou explicar por que. - Jane, http://jane-byjane.blogspot.com/. mata a tua curiosidade.


Recebi um convite que me deixou intrigada, de início não queria aceitar – trata-se de trabalho, e eu, já aposentada, com a vida ganha, não queria mais nada com qualquer coisa que significasse compromisso, mas confesso que fiquei curiosa e falei que iria tentar. Enfim, para resumir, estou dando aula de artes – Educação Artística como chamam atualmente – no meu tempo existia só Trabalhos Manuais, tricô, crochê, bordado – coisas que a Nina http://omeupensamentoviaja.blogspot.com/. domina com mãos de fada.


Hoje em dia não, têm uma série de atividades que incluem estudar a História da Arte, movimentos artísticos, pintores, ecultores. Artes visuais – que é tudo, mais dança, teatro e música. Gostaria imensamente de registrar alguns episódios ocorridos em sala de aula, mas deixo para outra ocasião – tem histórias incríveis.


Hoje vou comentar somente sobre os materiais usados pelas professoras de artes. Sinceramente, não consigo entender o que faz uma professora, nos dias atuais, usar tanto TNT, EVA e isopor para os trabalhos artísticos. Em primeiro lugar, acho que ainda não inventaram nada mais brega que a quinquilharia feita de EVA, TNT e isopor – normalmente são coisas feias, que não servem para nada a não ser para ir para o lixo. O tal do bisquit também. Passei o fim de semana tentando encontrar na net o prazo que cada um dos materiais que detesto leva para se decompor na natureza e, pasmem, nenhum se desmancha em menos de 450 anos. - Para o desespero da Aninha http://agroecologiamt.blogspot.com/. Então, estamos ensinando os alunos a fabricar lixo poluente. Tem tanta outra coisa legal para trabalhar como argila, papel machê, sei lá mais quanta coisa. Bem, vou começar por mim, não vou usar estes produtos – eventualmente quem sabe, mas não fazer uma constante. Aceito sugestões. Malu, conto com você, tenho tirado vários conselhos do seu http://euacreditonaeducacao-malu.blogspot.com/.


Como vocês podem ver, a velha Dinorah voltou à ativa e está super envolvida com a nova atividade, e apaixonadíssima pelos alunos, inclusive com os que têm bicho carpinteiro na bunda – estes parecem ser os melhores. E estou achando o máximo ser chamada de professora. Mata a carência de qualquer ser humano. – Sandra, http://cactobola.blogspot.com/, lembre de sua mãe, ela tinha razão, ser professora é muito bom.

Vou deixar uma lição de casa para vocês: Quem sabe dizer quais eram os três objetos recorrentes que aparecem em algumas telas de Portinari? (juro que não sabia, e achei muito legal descobrir). Quem acertar ganha um ponto! (faço um ponto a lápis ao lado do nome do aluno, eles querem saber quanto vale o ponto e eu respondo: Um ponto vale um ponto!)

Coloco a resposta no fim de semana.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mera constatação.



Nos últimos dias pude constatar que:




Tem pais que criam filhos para adaptarem-se ao mundo. Outros, exigem que o mundo se adapte aos seus filhos.





E, que os primeiros, sofrem e causam menos dores do que os segundos.












quarta-feira, 9 de março de 2011

Sou Livre!

VOCÊ ADORA, A SOM LIVRE TOCA – e fatura!

A pretensão da Som Livre é dose!


Em primeiro lugar, eu não ADORO “Batidão Sertanejo” nem música Pentecostal – onde, cada vez mais surgem pastores, padres, bispas faturando em cima de Deus.


SOU LIVRE, TE TOCA!


PS.: é só um desabafo!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval na Marambaia

A Marambaia está em festa! É carnaval!



Cerca de um mês antes da festa pagã, começam a aparecer os “Caretas”. Crianças, homens, mulheres, gente moça e gente nem tão moça assim, enfiam-se em fantasias. Usam máscaras e saem no final das tardes para brincar na rua. Ninguém sabe quem é quem. A brincadeira é não se deixar descobrir. O povo se diverte e assim, fica-se sabendo que logo será carnaval.


Na alvorada de sexta feira, é dada a largada para a festa. Quem abre os festejos é o “Bloco da Paz”, composto em sua maioria por mulheres, que se encontram na categoria da segunda adolescência – terceira idade não combina com aqueles espíritos felizes, bem humorados e brincalhões. Todas de branco, percorrem as ruas da pequena cidade, acordando seus moradores ao som de uma bandinha, quem quiser brincar que se junte a elas. Animadas cantam todos os sucessos do momento – momento em que eram jovens – A Jardineira, Ala lá lá ô, Bandeira branca, enfim, todas as boas marchinhas de carnaval que sabemos de cor de tantos carnavais. Já vi alguma desfilar de bengala, outra amparada por uma amiga, muito cabelo branco. Como é carnaval, imagino que tudo não passe de adereços e fantasias que usam para se divertir, pois são as meninas mais alegres e divertidas que conheço. Este ano, fizeram uma exceção e saíram às cinco da tarde, acho que algumas meninas são dorminhocas demais.


A festa segue até a quarta feira de cinzas. Blocos desfilam a qualquer hora do dia. Tem bloco para todo o gosto. Para crianças, jovens, adultos e os muito adultos. Com música moderna, marchinhas antigas, com bandinhas ou música eletrônica.


No sábado, passada a quarta-feira de cinzas, o mesmo "Bloco da Paz" que abriu os festejos, encerra as comemorações com o “Jegue Elétrico”. Um jegue, todo enfeitado com colares de flores e, as mesmas jovens animadas - aquelas que usam fantasia de senhoras - avisam que o carnaval acabou, e que no ano que vem tem mais.
Fico imaginando se existe um lugar onde o carnaval possa ser tão divertido, democrático, e sem maquiagem quanto o da Marambaia. Basta ter espírito de folião o resto, ta na mão.

PS.: estou rouca de tanto cantar a Jardineira, Mulata bossa nova, Cabeleira do Zezé, Mamãe eu quero. Meus pés parecem dois pães sovados, e os joelhos estão rangendo, mas já estou toda perfumada para o baile no salão do clube. Fui!